Moimórias é um espetáculo solo e sem palavras. No palco uma jovem manipula e contracena com um boneco, com o qual estabele uma relação, ora de manipuladora, ora de amiga, ora invisível, ora visível e cria uma inesperada atmosfera de realidade e fantasia, na qual um vestido de noiva e um terno criam vida e dançam embalados pelas memórias do velho alfaiate.
Suas memórias não revelam uma história clara, mas fornecem elementos para que o público, por meio de suas próprias lembranças construa sua narrativa. No entanto, a memória não é encenada como experiência traumática. Mas é ampliada para que esta rememoração possa favorecer uma ressignificação, unindo passado, presente e futuro para que se harmonizem e, assim, reforcem a sensação de pertinência do ser humano a um grupo de origem e de destino, criando para o personagem o significado de se ter uma trajetória.
O boneco, com a cabeca talhada em madeira bruta e sem o fino trato dos modernos vernizes não pode ser repetido em série. Ao nascer, já era velho e agora, por meio da manipulação, diz a todos que mesmo com idade avançada se presta à arte de viver.
Uma homenagem aos idosos, aos antigos ofícios e à memória.